Defunto redivivo

Aos 4 minutos e 5 segundos de “A Looking In View”, confesso que me bateu uma sensação esquisita. Eu realmente acreditei que estivesse ouvindo a voz de uma pessoa morta. Pior: estava gostando daquilo, munido de um sentimento necrófilo genuíno. O fato é que todo o meu ceticismo acerca da volta do Alice In Chains com um vocalista sei-lá-quem no lugar do insubstituível Layne Stanley foi pro ralo. Eu, que ignorei por completo este retorno até agora, acabei sucumbindo à curiosidade mórbida de quem considerava o AIC a sua banda preferida daquela cena grunge que tanto marcou os já redivivos Anos 90. Os mesmos anos que eu provavelmente respirei de maneira mais intensa musicalmente falando.

Alice In Chains versão 2009
A pergunta que não quer calar: “Black Gives Way To Blue”, o disco novo-com-vocalista-novo, é bom?
Respondendo na lata: é bom sim!
Não dá para ignorar a qualidade das composições e dos arranjos de Jerry Cantrell, que era a metade da alma do AIC junto de Layne, e que no último registro antes de sua morte (“Alice In Chains” – o disco do cachorro de três patas) teve boa parte das vozes principais cantadas pelo guitarrista, levando em conta o estado deplorável em que se encontrava o falecido vocalista. Aliás, a sonoridade deste “Black Gives Way To Blue” parece linkada diretamente com aquele álbum, com paisagens sombrias e aquela inconfundível aura densa, pesada e depressiva, detectáveis já nas duas primeiras músicas (“All Secrets Know” e “Check My Brain”). Já em “Last Of My Kind” – faixa pesadona e fodona, o tal do William DuVall (enfim descobri seu nome) imprime um lastro de personalidade no pré-refrão ao utilizar de uma entonação vocal mais próxima de um Gene Simmons enfurecido que encaixou muito bem no contexto da música.
A seguir, temos uma genuína acoustic song, fruto da inigualável parceria Stanley/Cantrell. Só que Layne morreu, não compôs nem cantou em “Your Decision”, mas eu poderia jurar que esta faixa é algum bonus-track de “Jar of Flies”. E o disco segue assim, provocando sentimentos atagônicos (rejeição e satisfação, alívio e desconfiança), com uma sonoridade muito acima da média, ótimo para mostrar à molecada de hoje (ou de ontem, já que o tempo parece correr mais rápido atualmente) que este tipo de música não surgiu com o Godsmack… Mais pesado que o usual da banda, mas ao mesmo tempo sem aqueles refrãos grunge de arena tipo “Man In The Box” ou “Would”, “Black Gives Way To Blue” entra de sola no precoce revival dos anos 90 que parece nem ter esperado esta década acabar. É um pacotão de músicas muito boas, com um selo de qualidade inquestionável que garantirá a satisfação dos antigos fãs mais céticos (tipo eu), mas que eu duvido que terá o mesmo apelo que antes junto à geração atual.
Download: Alice In Chains – “Black Gives Way To Blue”
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~ por kalunga76 em 23/09/2009.
Publicado em crítica, Download, Música, Resenha
Tags: anos 90, clássico, grunge, metal, rock and roll, Seattle


cara, tô ouvindo esse disco pelo menos uma vez por dia, mas ainda não sei opinar. tem coisas ótimas realmente. minha favorita é justamente uma cantada pelo DuVall: “Last of My Kind”, seu timbre me lembra um pouco Corrosion of Conformity, mas nesta faixa realmente a comparação com “Gene Simmons enfurecido” é bem vinda. vou ouvir mais!
Pois é Bonna, eu confesso que fiquei bem incomodado com a “ressucitação” do Layne em quase todas as músicas, ao mesmo tempo que ficava curioso (apesar do ceticismo) de saber como ficaria este novo vocalista. No fim das contas, o som do AIC é muito fechado dentro de si, na minha opinião. E por isso mesmo que não devemos nutrir expectativas de que o som venha ligeiramente modificado, pois o que o povo fã da banda quer (eu incluso, apesar de relutar)é o mesmo som de sempre. Nisso, o disco novo cumpre bem esta função, apesar de ser mais heavy que qualquer outro disco dos caras.
E tô ouvindo esta porra todo dia!
vou acrescentar mais uma coisa. não acho que esse disco seja descendente direto do “cachorro saci” não. ele é continuação do “Degradation Trip” que só não tem a assinaturar AIC por ter apenas 1/4 da banda, mas que é até superior ao disco auto-entitulado. pesados pra porra! quero ouvir mais! ahhahah
Meu filho gosta mais do AIC que eu. Do grunge eu adorava o Nirvana mesmo, o Temple Of the Dog eo Mudhoney.
Mas tem coisas que fazem falta, como o Stone Temple Pilots.
Mas eu tô tentando parar com isso de nostalgia. O negócio e filtrar coisas novas no meio desse lixo todo que existe pelo mundo.
Mas tem horas que acredito que nunca mais surgirão mega bandas como Rush ou Pink Floyd (Seja lá qual for o gênero). Será que um dia esse mundo de coisas descartáveis voltará a ser mais lento e calmo?
Baixando a bagaça
Ah! Não sei se vc conhece, mas se quiser ouvir algo meio pop, meio britpop, meio sem descrição (graças as letras)… procura uma banda chamada Babybird.
Bonna,
realmente eu não tinha parado pra pensar nisso: o disco novo tem sim também um link direto com o disco solo do Cantrell. Boa pedida: vou ouvir essa bagaça!
Eu particularmente ainda gosto mais do disco do cachorro de três patas, mas esse novo tá ganhando pontos comigo diariamente. E é isso que vc falou: o AIC nunca foi tão pesado!
Fala Chantinon!
Cara, eu realmente gostava mais do AIC e, nesta ordem, Nirvana, e Soundgarden, falando especificamente do grunge. Geração aquela que me mostrou o caminho das pedras chapadas do stoner rock, pois foi lendo uma entrevista c/ o Nirvana na Bizz que conheci Kyuss e todo aquele estilo musical fodão quando o Dave Grohl indicou a banda. Sobre o STP, vou te falar: por alguns anos eu nutri enorme preconceito contra eles por causa daquele primeiro hit deles,”Plush”, que eu achava cópia descarada de Pearl Jam, e por tabela ignorei o som deles. Queimei minha língua, pois se trata de uma banda fodaça, incluindo o primeiro disco que eu ignorava.
Babybird? Já ouvi falar… Vou consultar meu amigo Taylor, o indie true das antigas que manja tudo de brit pop, rsrsrsrsrs… Já pesquisando no All Music, todos os discos eles dizem que são bons! Vou baixar!
continua…
continuando…
Mega bandas de hoje: pois é… quem poderia representar para a molecada de hoje o que monstros como Pink Floyd, Hendrix, ou mesmo Cure, Nirvana (falando de gerações mais próximas)? É complicado fazer esta análise, pois estamos lidando não somente com a nossa própria rabugice de quem olha com certo desdém dos mais novos e suas preferências mas, o principal: estamos vivendo uma era de mudanças MUITO radicais na forma de ouvir e consumir música.
Como que podemos exigir o envolvimento que tínhamos (e ainda temos) com a música em tempos de downloads desenfreados, do anunciado fim do formato de disco físico e de obra fechada (o “álbum” em detrimento de faixas isoladas)? Eu vejo umas pessoas mexendo num iPod… cara, eu demoraria 1 ano pra ouvir 80gb, e neguim vai trocando de música sem nem ouvir mais que 1 min como se estivsse tendo um ataque epiléptico nas mãos. As pessoas de hoje não estão mais preocupadas em se aprofundar no que ouvem, mas sim em baixar a última novidade, postar antes de todo mundo (e eu bem que quis fazer isto neste post, haha!). Ou então vão para um show mais preocupados em twittarem de lá em tempo real pelo smart phone do que curtir o show propriamente dito.
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Ainda sobre as bandas, acho que os anos 90 forneceram mais alguns exemplares que hoje adquirem status de culto, mas para uma geração anterior à atual, pelo menos. Tipo Tool, Nine Inch Nails ou mesmo o Prodigy (pra mim e pra muita gente que conheço eles significaram muito para todo um contexto). Com este comprometimento que eu tanto falo em relação à geração atual, talvez só o público do metal que ainda cultiva tal sentimento
Uma boa banda destes anos 00′s que já estão acabando e que acredito provocar emoções mais profundas, eu indicaria o Arcade Fire. Eu, que sempre curti Echo & The Bunnymen, vi um link com esta banda. Não é cópia, na verdade nem parece o som. Mas evoca um sentimento parecido quando ouço, ainda mais vendo o DVD deles, “Mirror Noir”, onde você vê a paixão com que eles tocam ao vivo e a troca que eles têm com o público. “Neon Bible” pra mim já é um clássico desta década.
O rapidshare tá me ferrando. Ainda não consegui baixar nenhuma dessas maravilhas ai.
Cara, eu nem sou tão rabugento com coisas novas, inclusive adoro descobrir coisas novas, como os australianos do The Butterfly Effect, o maravilhoso trio God is an Astronault e outra pá de gente legal. Mas como vc lembrou, pop não quer dizer produto para consume descarado. Eu fico muito preocupado com essa alienação em massa dos jovens. Parece que todos estão perdidos e sem opinião, mas fodam-se eles
Toda vez que vc fala de Prodigy me lembro das loucuras que já fiz ao som do disco do caranguejo!
Dessas paradas que vc curte (a lá EBM) eu adoro todos os projetos dos caras do Front Line Assembly.
Infelizmente eu não sobreviveria só com 80GB de MP3, inclusive fico chateado por não levar meu HD externo comigo a todo canto (questão de segurança).
Abraços
Chantinon: tendo problemas com o rapidshare? Use este programinha aqui: http://www.baixaki.com.br/download/freerapid-downloader.htm
É um adianto!
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Rapaz, Prodigy pra mim é de um tempo também de uma época muito maluca, hehehehehe… Dos projetos do FLA (bandaça clássica de EBM, fodona até hoje), eu também curto todos, particularmente o Delerium e o Synaesthesia. E se tiver saco pra baixar (4 GB e poucos compartilhando, o que torna o troço ainda mais lento pra baixar), eu posto o link do torrent do vídeo “Live Wired”, dO FLA, que saiu nos anos 90 originalmente num VHS duplo e que contém um show fodaço, entrevistas e vários clipes.
E anotei as duas dicas de som que vc comentou aqui. Este tipo de informação trocada vale mais do que visitar os blogs imediatistas que apenas hospedam os links pra vc baixar e nada mais. Eu faço uso direto deles, admito, mas dou muito mais importância às indicações.
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Eu bem que gostaria de ter um ipod com 120gb, mas me viro muito bem c/ um ipobre de 2gb sem reclamar. E eu tenho um hd externo de 1 TB que tá sendo pouco pro volume de coisas que baixo – a maioria vídeos. Tem uma penca de coisas pra ouvir ainda, mas sempre faço questão de ouvir TUDO. Pra isso ouço no carro, na caminhada diária, em qualquer situação que me sobre tempo. Já essa molecada tem todo o tempo do mundo e só ouve 30 segundos de cada faixa…
abraços!