Review geral 2009 parte 2

•15/10/2009 • 17 Comentários

Segunda parte de uma revisão geral de coisas lançadas neste ano: da semana passada ou cinco meses atrás, não importa.

A saída pelo remix

O Ministry acabou de soltar mais um disco de remixes, intitulado “Last Dubber”, que descende do original “The Last Sucker”. São versões do que o Sr. Al Jourgensen (patrão da banda) interpreta como o que seria o dub jamaicano para o metal industrial do Ministry. O resultado disso soa como se fosse um mix do pesadelo apocalíptico arrastado do Godflesh com o dub industrial clautrofóbico do Scorn. A capa com a imagem de George W. Bush fumando um baseado é sugestiva, e se você embarcar nesta trip arriscada e um tanto quanto indigesta pode ter pesadelos com bombas caindo sobre a Jamaica…

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baixa essa desgraça!

 

 

 

 

 

 

 

Já o Revolting Cocks (projeto paralelo-mor do Sr. Jourgensen) chamou um timaço de bacanas do cenário industrial para remexerem nas faixas do excepcional “Sex-O-Olimpico”, resultando no divertidíssimo “Sexx-O-Mixxx-O”. Os remixes de Chris Vrenna (NIN/Marylin Manson – “HookerBot3000”, em ritmo neo synthpop, genial!), Dave Oglivie (Skinny Puppy – “I’m Not Gay” numa vibe trance/space disco), Andy Laplegua (Combichrist – “Lewd Ferrigno” virou um EBM fodão) e Luck Van Acker (um dos fundadores do Revolting Cocks – “Touch Screen”, lembrando um mix de electro funk com o próprio RevCo antigo) são os melhores, mas o disco inteiro é muito bom, dando uma suprimida nas guitarras pesadonas originais e ressaltando o lado dance/disco que parecia ter sido perdido no som original do RevCo.

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pra zoar o puteiro!

 

 

 

 

 

 

 

Direto da tumba

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O doom metal é um gênero musical tão atrelado ao som do Black Sabbath dos anos 70, que se composições tétricas como “Electric Funeral” e “Black Sabbath” não tivessem sido criadas, o mundo seria privado de bandas excelentes e sorumbáticas como os já veteranos do Candlemass – e de todo o heavy metal como o conhecemos hoje por extensão. “Death Magic Doom” é um dos melhores discos do ano fácil, contém uma das músicas mais sensacionais que ouvi recentemente (“The Bleeding Baroness”, um refrão poderoso que não ouvia igual há anos), (re)apresenta um vocalista novo que chegou fodendo tudo (a voz de Robert Lowe é um meio termo entre Dio e Layne Stanley) e é perfeito para quem tomou um soco no estômago com o retorno dos mestres Iommi, Dio, Butler e Appice através do monstruoso disco do Heaven and Hell (olha o Sabbath onipresente aí no doom metal!).

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faça o sinal da cruz (invertida!) ao Sabbath, porra!

 

 

 

 

 

 

 

 

Os mestres do metal gótico estão de volta com mais um disco consistente. “Faith Divides Us, Death United Us” permanece na onda mais arrastada (doom) e pesadaça que tem marcado a fase recente do Paradise Lost. Ainda fico com “Icon” e “Draconian Times” como clássicos insuperáveis desta banda, mas para quem vomitou sangue após a fase pop de “One Second” e “Host” (que acho do caralho), esta nova encarnação do quinteto é um alento àqueles que gostavam mesmo era da podreira de “Lost Paradise” e “Gothic”. O som não voltou a ser aquele doom metal com vocais podrões, mas faz o link com aquela época sendo bem pesado e mais moderno ao mesmo tempo.

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no frio, tomando um vinho e vendo a chuva cair lá fora...

 

 

 

 

 

 

 

 

It’s only rock and roll

thorogood

George Thorogood é um cara bacana, daqueles que tocam sua guitarra com fogo nos olhos e, sempre escudado de seus chapas dos Destroyers, continua gravando bons discos periodicamente. “Dirty Dozen”, lançado meses atrás, regrava com propriedade clássicos de gente como Muddy Waters, Bo Diddley, Chuck Berry, Howlin’ Wolf e Willie Dixon, e apresenta algumas composições novas bem legais. O som do Thorogood não muda nunca: é aquele blues rock rasgadão, movido a guitarras lotadas de feeling (o slide rola solto) e que reverencia não somente os bluesmen citados, mas também o rock primordial de Chuck Berry & cia. Ele já lançou discos melhores (o primeirão ainda é imbatível) ao longo de mais de 30 anos de carreira, mas ouvir rock and roll puro e sem maquiagens desnecessárias desta forma hoje em dia é raro, muito raro, mas muito bem vindo.

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one bourbon, one scotch, one beer, please...

 

 

 

 

 

 

 

Rezando (ops!) pela cartilha do melhor que o rockabilly, o psychobilly (sua vertente mais suja e moderna) e o Texas (sua terra natal) podem oferecer em termos sonoros e de boas histórias em suas letras, o Reverend Horton Heat libera mais um disco que promete tornar nossas vidas mais divertidas. Outrora dono de uma verdadeira missa pervertida movida a riffs de guitarra incendiários, bateria alucinada com dois bumbos comendo soltos e sempre escudado por seu fiel parceiro Jimbo (baixo acústico), o Reverendo desta vez maneirou no peso e investiu numa sonoridade de rockabilly e country/tex mex mais tradicional no recém lançado “Laughin’ & Cryin’”. O peso e a pegada estilo hot rod music que eles tinham ficaram perdidos de “Spend Night In A Box” (2000) pra trás, o que pode gerar uma certa decepção nos fãs mais antigos. Mas o disco é bom o suficiente até mesmo para dar uma zoada na galera do death metal (“Those Death Metal Guys” – mais pesada e próxima ao estilo clássico do grupo) sem perder o feeling inigualável que a banda possui.

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from here to Texas

 

 

 

 

 

 

 

Falar de discos recentes de bandas consideradas “classic rock” é uma tarefa ingrata. Inevitavelmente seus clássicos lançados nos anos 60 e/ou 70 são considerados inigualáveis, mas também se tornam uma bola de ferro presa no calcanhar destes músicos, pois tudo o que eles tiveram produzido dos anos 80 pra cá sempre gerou comparações implacáveis com o passado. Por isso é difícil alguém que não seja um verdadeiro fanático pelo Deep Purple, por exemplo, se interessar num disco lançado pela banda em pleno 2009 se você pode enumerar dezenas de clássicos imortais do passado como prioridade em sua audição. Dito isso, como eu posso indicar um disco do Lynyrd Skynyrd lançado neste ano se a sua obra dos anos 70 é um verdadeiro cálice sagrado do que podemos entender o que é o rock and roll de qualidade e verdadeiras bíblias do southern rock? “God and Guns” (o título é massa!) reúne as migalhas que sobraram do Lynyrd original para produzirem um disco surpreendentemente bom! Se você souber separar a banda clássica de décadas passadas da atual, vai ouvir um southern rock moderno, bem próximo de bandas que revivem este gênero musical misturando com o stoner rock atualmente, como o sensacional Five Horse Johnson, que justamente tem no Lynyrd como uma de suas maiores influências. E o Lynyrd está bem pesadão para os seus padrões neste disco, vide músicas fodonas como “Still Unbroken”, “Simple Life”, “Little Thing Called You”, “Southern Ways”, “Skynyrd Nation”,Floyd”, “Storm” e a antológica faixa-título. Ouça sem comparar com o passado glorioso da banda e se surpreendrá!

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southern by the grace of god!

Defunto redivivo

•23/09/2009 • 9 Comentários

Aos 4 minutos e 5 segundos de “A Looking In View”, confesso que me bateu uma sensação esquisita. Eu realmente acreditei que estivesse ouvindo a voz de uma pessoa morta. Pior: estava gostando daquilo, munido de um sentimento necrófilo genuíno. O fato é que todo o meu ceticismo acerca da volta do Alice In Chains com um vocalista sei-lá-quem no lugar do insubstituível Layne Stanley  foi pro ralo. Eu, que ignorei por completo este retorno até agora, acabei sucumbindo à curiosidade mórbida de quem considerava o AIC a sua banda preferida daquela cena grunge que tanto marcou os já redivivos Anos 90. Os mesmos anos que eu provavelmente respirei de maneira mais intensa musicalmente falando.

 

Alice In Chains versão 2009

A pergunta que não quer calar: “Black Gives Way To Blue”, o disco novo-com-vocalista-novo, é bom?

Respondendo na lata: é bom sim!

Não dá para ignorar a qualidade das composições e dos arranjos de Jerry Cantrell, que era a metade da alma do AIC junto de Layne, e que no último registro antes de sua morte (“Alice In Chains” – o disco do cachorro de três patas) teve boa parte das vozes principais cantadas pelo guitarrista, levando em conta o estado deplorável em que se encontrava o falecido vocalista. Aliás, a sonoridade deste “Black Gives Way To Blue” parece linkada diretamente com aquele álbum, com paisagens sombrias e aquela inconfundível aura densa, pesada e depressiva, detectáveis já nas duas primeiras músicas (“All Secrets Know” e “Check My Brain”). Já em “Last Of My Kind” – faixa pesadona e fodona, o tal do William DuVall (enfim descobri seu nome) imprime um lastro de personalidade no pré-refrão ao utilizar de uma entonação vocal mais próxima de um Gene Simmons enfurecido que encaixou muito bem no contexto da música.

A seguir, temos uma genuína acoustic song, fruto da inigualável parceria Stanley/Cantrell. Só que Layne morreu, não compôs nem cantou em “Your Decision”, mas eu poderia jurar que esta faixa é algum bonus-track de “Jar of Flies”. E o disco segue assim, provocando sentimentos atagônicos (rejeição e satisfação, alívio e desconfiança), com uma sonoridade muito acima da média, ótimo para mostrar à molecada de hoje (ou de ontem, já que o tempo parece correr mais rápido atualmente) que este tipo de música não surgiu com o Godsmack… Mais pesado que o usual da banda, mas ao mesmo tempo sem aqueles refrãos grunge de arena tipo “Man In The Box” ou “Would”, “Black Gives Way To Blue” entra de sola no precoce revival dos anos 90 que parece nem ter esperado esta década acabar. É um pacotão de músicas muito boas, com um selo de qualidade inquestionável que garantirá a satisfação dos antigos fãs mais céticos (tipo eu), mas que eu duvido que terá o mesmo apelo que antes junto à geração atual.

Download: Alice In Chains – “Black Gives Way To Blue

Review geral 2009 – parte 1

•11/09/2009 • 2 Comentários

Uma pincelada em alguns discos bacanas lançados em 2009, uns mal saíram do forno, outros já fazendo este post correr o risco de parecer requentado.

Pigface – “6”

A turnê do Ministry realizada entre 1989 e 90 para promover o álbum “The Mind Is A Terrible Thing To Taste” marcou época ao reunir a elite do rock industrial de então num freakshow inovador, que tinha como bandas de abertura gente como Skatenigs, Revolting Cocks e KMFDM, além de participações de membros de diversas outros grupos (até Jello Biafra deu o ar de sua graça bizarra e inoclasta por ali). Para quem já assistiu àquele VHS histórico do Ministry que registrou parte daquilo, deve se lembrar dos bateristas Martin Atkins e Bill Rieflin socando kits acústicos e eletrônicos ao vivo num duelo que elevava ainda mais a potência sonora da banda. Pois o Pigface surgiu dali, quando Atkins (que fez história ao lado de Jah Whobble e John Lydon no PIL ) sentiu que aquela química com o seu colega baterista poderia render uma banda à parte, e incluir o maior número de participações já visto do povo do industrial e também de muitos outros estilos (até gente do Pixies e do Tool passou por ali – a lista  é quilométrica). Vinte anos depois, o Pigface seguiu  – já sem Rieflin como membro fixo – sendo referência na música industrial. Curiosamente, entre toneladas de discos ao vivo, remixes e EPs, o Pigface vai completando duas décadas de vida apenas com o sexto disco de estúdio, oficialmente falando. “6”, apesar do nome óbvio, segue muitíssimo bem a trajetória do supergrupo mantendo o pique após o excelente “Easy Listening” (2003).

Aqui temos uma banda de rock industrial amadurecida, que não se apóia exclusivamente na surrada fórmula de guitarras pesadonas e ruídos mecânicos em profusão. Os vocais não investem somente na gritaria distorcida, as programações são excelentes e o groove da bateria de Atkins é marca registrada por todo o disco. “6” abre com o ritmo quebrado de “Electric Knives Club” e os vocal inconfundível de Chris Connely (sempre tenho a impressão de que ele rende mais em discos de terceiros do que em seu material solo) sendo acompanhado por uma guitarra suja e um synth que cola nos ouvidos. A faixa seguinte, “6.6.7.11”, e também “I Hate You In Real Life Too” e “K.M.F.P.F” são as que mais se aproximam do clichê do rock industrial, sendo que a última certamente faz referência ao KMFDM (Ens Esch, ex-membro desta banda, participa da música). Hanin Elias, ex-integrante do ultra-mega-barulhento Atari Teenage Riot, participa mais uma vez de um disco do Pigface com as ótimas “Fight The Power” e “Sanctify”, surpreendentemente levadas em ritmo rap/hip-hop, obviamente que abastecidas das engrenagens mecânicas do industrial. “Mercenary” é o ponto alto deste ótimo álbum, pois se trata de um rock industrial perfeito, daqueles de fazer parte de set lists ao lado de clássicos de NIN, Ministry ou Young Gods. O restante do disco equilibra muito bem o experimentalismo com sonoridades mais acessíveis, tornando este lançamento do Pigface uma das gratas audições de 2009.

 

 Download – “6”:

 

My space – Pigface

 

My Life With The Thrill Kill Kult – “Death Threat”

 kill kult 2009

A banda mais divertida do som industrial (ao lado do Revolting Cocks, é claro) está de volta com mais um disco excelente. “Death Threat” é mais sujo e pesado que o anterior (e também muito bom) “The Filthiest Show In Town”, mas mantém aquela onda meio noir, meio trilha de filme de terror B dos anos 50 que lhes é bem característica e que depois viria a fazer a fama de gente como Rob Zombie (com muito mais peso, obviamente). É fácil apontar os destaques num disco tão bacana como este. A abertura com o groove sombrio e pesado de “WitchPunkRockStar” é o cartão de visitas perfeito, assim como a faixa que encerra o disco, “Psychik Yoga” – as duas mais dançantes e aceleradas que o usual . Quando ouço “Invasion (Of The Ultramodelz)” sempre me vem à mente que esta música seria perfeita para a cena do strip de Rose McGowan em “Planet Terror”, só que imagino também os zumbis do filme entrando ali naquele momento para dilacerar a perna dela precocemente, rsrsrsrsrsrs…

O balanço sacana e sensual de “Spotlite Hooker” lhe transporta para um puteiro sujo recheado de vagabundos jogando garrafas numa banda qualquer que estivesse tocando atrás de uma grade. Nesta faixa, ouvimos sem cerimônias o som de um hammond e daquele mellotron (um tipo de sintetizador) típico da black music dos anos 60/70. “Who R U Now” tem as guitarras digitalizadas, os vocais sussurrados e os metais canastrões que fizeram de “Sexplosion” um clássico cultuado até hoje e que ainda serve de base para tudo o que o Kill Kult viria a produzir a partir de então. No geral, musicalmente falando, “Death Threat” soa como se um bando de malucos do groove tipo o Funkadelic  resolvesse fazer uma jam com um povo cyberpunk pervertido e fã de filmes de terror de baixo orçamento provindos de Chicago (a cidade de origem desta gangue bizarra e terra de boa parte do melhor que se produziu no som industrial até hoje via Wax Trax Records). A mistura pode soar um tanto quanto improvável para muitos, mas vem dando certo há mais de 20 anos e garante a diversão de qualquer noitada mal intencionada.

 Download – “Death Threat”:

 

 Site oficial

My space – My Life With The Thrill Kill Kult

Anders Manga – “Catastrophe”

 

Este norte-americano que lidera a banda que leva o seu próprio nome é uma grata surpresa no cenário da música gótica/industrial mundial dos anos recentes. Lançando ótimos discos anualmente a partir de 2005, o som de Anders Manga pode ser definido simplesmente como “electro-goth”. Porém, em meio à avalanche de seres trevosos que investem neste segmento atualmente, o Sr. Anders se destaca compondo canções e discos acima da média, valendo-se de um registro mais cool num gênero tão acostumado a exageros estéticos e sonoros. No som, podemos encontrar influências de EBM old school, electro atual e o goth rock tradicional. A parte eletrônica não é necessariamente aquela EBM de tinturas góticas já manjadas de gente como Cruxshadows. E mesmo a porção goth rock tradicional + electro pouco lembra ícones desta fusão como Bella Morte, até porque não há guitarras no som do Anders. Seu registro vocal situa-se num meio termo entre Marilyn Manson (a parte grave e sem os gritos) e Ville Valo (HIM) e sua estética visual está mais próxima da indumentária gótica dos anos 80, tipo Sisters of Mercy e Bauhaus. E o cara produz e distribui tudo de casa de forma independente, inclusive os clipes, além de ter em seu currículo filmes de terror underground.

Uma única queixa que eu tinha acerca do som do Anders Manga era de que seus discos soavam bastante próximos entre si – um típico caso de uso e abuso de uma fórmula que deu certo, apesar da altíssima qualidade de todos os álbuns. Porém, o recém-lançado EP (somente em formato digital) “Catastrophe” mudou esta concepção. O som está, digamos, mais ROCK! Se o que diferenciava a música do Anders Manga do usual era justamente o uso da eletrônica sem instrumentos “comuns” para compor seu goth rock  – uma contradição, diga-se, neste EP o som se aproxima de algo muito mais tradicional, com baixo, guitarras e bateria (ainda é programada, mas com um som mais “humano”) tendo como referência até mesmo gente como Nick Cave, Danzig e Paradise Lost (fase “One Second”), como podemos conferir em “Infinite Gaze to the Sun”, “Lead”, “The Last Alarm” e “Murder In The Convent”. “The Transit Begins” particularmente remete ao death rock clássico, enquanto que as demais faixas soam como o próprio som típico do Anders acrescido de peso mais “humano”. “Catastrophe” é, seguramente, um dos melhores registros da música gótica recente, e um disco “inteiro” deve sair ainda neste ano, segundo informações do próprio site oficial da banda. Espero que mantenham esta linha evolutiva no seu som.

Download – “Catastrophe”:

My space – Anders Manga

 
Em breve tem mais sons novos aqui…

Vitória: uma ilha de desenvolvimento

•26/08/2009 • 7 Comentários

Vitória: qualidade de vida, modernidade e natureza num só lugar…

Outro dia li uma notícia na internet que dizia: “Vitória no topo do Índice de Desenvolvimento entre as capitais”. De acordo com a matéria, a capital do Espírito Santo atingiu o primeiro posto levando em conta os bons números de emprego, renda e saúde, com base em pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Não venho aqui questionar a veracidade desta pesquisa, mas sim falar sobre um típico “sintoma” que seria conseqüente ao tão divulgado desenvolvimento de nossa querida capital: o nível e a qualidade na prestação de serviços.

Se existe algo que o capixaba se mostra muito incompetente é quando se presta a algum tipo de serviço profissional. Parece que “desenvolvimento” x “prestação de serviços” é uma relação entre antagonistas. Isso não se restringe apenas a bares e restaurantes, pois se estende a lojas, corretoras, agências diversas (viagens, seguros, empregos, etc.) e também a todo o tipo de serviço contratado (telefonia, luz, TV a cabo, e por aí vai).  A partir do momento em que Vitória apresenta índices altos de desenvolvimento, sua população precisa urgentemente sair de sua casca provinciana e acordar para o mundo. Com a infame proposta de fechamento de padarias e lojas de shoppings aos domingos, em conseqüência do perigoso precedente aberto com a atitude pioneira dos supermercados, a capital capixaba tem entrado numa absurda contradição com a notícia citada no começo deste texto. Pior: tem se tornado motivo de chacota nacional quando estas atitudes do comércio local caem na boca de forasteiros.

 Os vícios eternos

 Empresário local abre bar/restaurante em ponto badalado (e caro) da Praia do Canto (bairro nobre de Vitória, já divulgado como “Jardins capixaba”), contrata decoradora tal que tem MBA em Madri, ambiente supermoderno, cozinha a cargo do chef cicrano, que traz deliciosas receitas e drinks de Paris (…). Quantas vezes você não leu algo o tipo nos cadernos de fim de semana dos jornais capixabas, foi lá conferir e se deparou com situações típicas como: péssimo atendimento de garçons (em número insuficiente, todos mal treinados e completamente perdidos), seu pedido vem errado diversas vezes, o prato demora uma eternidade, os preços são caros e, invariavelmente, o(s) dono(s) só se preocupa(m) em prestar assistência pessoal a uma patotinha de conhecidos? Os jornais oferecem mídia espontânea que é muito mal aproveitada por quem se beneficia dela…

Uma ilha de beleza, modernidade e desenvolvimento… 

Ou então: o bar/restaurante que você tanto gostava por ter comida boa, cerveja gelada, preços justos e um atendimento satisfatório de repente começa a ficar lotado (como a população daqui é carente de bons serviços…). Daí que o dono, numa atitude gananciosa bastante comum por aqui, resolve aumentar sucessivamente os preços ao mesmo tempo em que diminui o tamanho dos pratos e porções, amplia o espaço físico, mas não contrata garçons nem cozinheiros a mais, enfia o dobro (ou até o triplo em alguns casos) de gente que antes no local reformado e tudo fica muito ruim a partir de então.

Mais um: fulano investe uma grana preta para abrir um bar ou casa noturna no ponto mais caro da cidade, e espera recuperar o investimento em apenas seis meses por não ter fluxo de caixa suficiente para sustentar a estrutura montada. Para quem tem o mínimo de noção em administração, sabe que o prazo básico para o retorno do investimento é de dois a cinco anos. Não preciso nem dizer que todo este desespero em recuperar a grana investida se traduz em preços caros e serviços de merda. Isto explica a alta rotatividade de bares abertos e fechados em curtos espaços de tempo nos pontos nobres da capital.

Exemplos práticos

Certo dia fui com minha mulher conhecer uma padaria na Praia do Canto. O local parecia agradável, numa esquina arborizada, instigava um café da manhã num sábado bucólico qualquer. Chegando lá, a atendente esticou as cadeiras e esperou que nós fizéssemos os pedidos acomodados numa mesa toda suja com farelos, café derramado e moscas pousando em cima. Ao pedir educadamente que ela limpasse a mesa com um pano, a menina fez cara feia e com muita má vontade retirou a sujeira. Lendo o cardápio, notei que havia a opção de pão na chapa com manteiga ou com presunto, e eu queria com os dois. A atendente disse que não seria possível porque só poderia ser feito o que estava rigorosamente escrito no cardápio. Resolvi não fazer mais perguntas difíceis e finalizei o pedido do jeito que dava. Enquanto esperava, notei o pessoal da mesa ao lado reclamando que seu queijo-quente veio frio.

Numa atitude moderna, a padaria disponibilizou campainhas em cada mesa que deveriam ser garantia de que, assim que você as apertasse, uma funcionária viria atendê-lo. Apertei até quase quebrar o treco e não veio ninguém, sendo que havia duas atendentes ociosas na porta olhando para o nada, enquanto que praticamente todas as mesas clamavam por atenção não correspondida. Durante a espera de mais de meia hora por simples omelete, suco e pão na chapa, minha mulher resolveu dar um rolê lá dentro e ouviu uma senhora esbravejando com a dona do lugar algo assim: “você precisa melhorar a logística deste lugar!” – a dona da padaria fez cara de quem não sabia o que significava a palavra “logística”. Na hora de pagar, a menina do caixa perguntou se eu não tinha trocado para uma conta de 18 reais e eu dando uma nota de 20.

 

Foi uma batalha para conseguir comer isso, e não falo do sabor…

Por falar em pagar a conta, uma outra padaria, esta dotada de várias filiais conceituadas espalhadas por Vitória e Vila Velha, justamente a de maior porte, a mais imponente e bem freqüentada (também na Praia do Canto) comete o vacilo na hora de pagar a conta! Explico: há quatro caixas no estabelecimento (sempre muito movimentado, é bom salientar, pois seus produtos são ótimos), mas nunca mais que dois estão funcionando ao mesmo tempo. Pior: há apenas uma máquina de cartão para todos os caixas. Imagine a confusão quando há mais que duas pessoas em cada fila… Até na hora de pagar (caro!) você é mal atendido.

Num outro exemplo típico da má prestação de serviço de nossa capital, observo um restaurante meio chique  localizado num pequeno shopping também meio chique ao fim da Avenida Joaquim Lyrio, outro ponto valorizado de Vitória. Sempre cheio aos fins de semana, o local oferece pratos bem elaborados e com preços nunca menores que 35 reais por pessoa. Chega uma hora do dia/tarde, vai lotando de gente esperando mesa, os que já estão acomodados demoram em média 1 hora para receberem sua comida, todos sorrindo e desfilando óculos de grife e jóias no pulso. O restaurante existe há uns bons anos e nunca investiu no aumento do número de garçons e da estrutura de sua cozinha. O mesmo público exigente tem miséria de pagar R$ 1,50 no estacionamento particular do shopping (que fica vazio), mas joga nota de R$ 2,00 na mão de flanelinha do lado de fora. 

Até que um dia fui conferir, mais uma vez, um restaurante que parecia ser legal, embalado em mais uma reportagem publicada nos cadernos de fim de semana dos jornais locais. Eis que fui surpreendido com o excelente atendimento: havia muitos garçons por cliente, todos simpáticos e bem treinados, a todo momento iam à sua mesa perguntar se precisava de algo. O ambiente era agradável, a música excelente (de lounge a MPB clássica). O cardápio era variado e com preços justos pela qualidade anunciada. A comida não demorou mais de 20 minutos para chegar, mesmo com o restaurante lotado. Prato farto e delicioso. Segundo informações que colhi com terceiros, o restaurante tinha fluxo de caixa razoável e não registrava prejuízos mesmo após alguns poucos meses de inauguração. Havia uma explicação óbvia sobre o conjunto satisfatório do lugar: os donos não eram do ES!

Vitória, uma ilha

Fala sério: parece cenário de novela de Manoel Carlos. Belezas encobrindo tragicomédias…

É impressionante como os empresários locais adoram aparecer em colunas sociais mostrando que foram a tal lugar da Europa, que trouxeram receitas de locais famosos no mundo inteiro para seus restaurantes e tal. Imagino que tivessem sido muito bem atendidos. Por que então não promovem a melhora no atendimento de seus estabelecimentos, tal qual puderam conferir nos tais restaurantes europeus? Tenho uma teoria para a resposta: porque o capixaba já se acostumou a ser mal atendido e, por falta de opção, uma hora ou outra acabará voltando ao local para sustentar tal círculo vicioso eternamente.

Vitória é uma ilha. Em todos os sentidos. Possui limitações físicas de expansão, mas soube concentrar riqueza aproveitando-se justamente dos parcos metros quadrados disponíveis. Isto talvez justifique superficialmente a primeira posição no tal ranking citado no começo deste texto. Mas, como a ilha que é, nossa capital também parece somente enxergar o mundo à sua volta, cercada de água por todos os lados, feliz em não saber como é a vida em outras paragens. É uma ilha de desenvolvimento, em todos os sentidos – negativos e positivos. A vida por aqui  – com exceção da violência – oferece muito menos complicações urbanas do que várias capitais concorrentes neste ranking de desenvolvimento. Um ótimo lugar para morar, não tenha dúvidas. Mas já pagamos muito caro por tudo nesta ilha, e por isso somos  – ou deveríamos ser – mais exigentes como o que nos oferecem. Merecíamos, no mínimo, sermos melhor tratados.

Inquietude acústica

•17/08/2009 • 7 Comentários

emerson_nogueira
Não é exatamante deste acústico aí de cima que estou falando…

O formato de disco acústico se tornou uma mina de ouro tanto para artistas quanto para a indústria fonográfica. Isto começou em 1992, quando Eric Clapton vendeu milhões ao cantar a dor da perda de seu filho com a balada “Tears In Heaven”, extraída do repertório de seu “Unplugged MTV”. Desde então, o modelo inicial de “rodinha de violão com os amigos” saiu de sua informalidade natural e ganhou ares pomposos. Todo artista tinha que lançar o seu, fosse ele um grupo de rock veterano, fosse ele uma banda pós-adolescente com apenas um disco de estúdio lançado. Alguns resultados sublimes (Nirvana e Alice In Chains me vêm à mente no momento), vários deles meio que nulos (Ultraje a Rigor, por exemplo, que tocou tudo igualzinho, só que com violões), e muitos deles pavorosos (Korn acústico???) depois, o formato virou até estilo musical à parte sem precisar ostentar a marca MTV, gerando inclusive giárdias musicais tipo Emerson Nogueira e Danni Carlos, que não compunham nada e somente tocavam sucessos alheios ao estilo “banquinho e violão”, só que acompanhados até de – pasmem! – orquestra. Acústico virou um bom negócio.

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Portanto, há um ano atrás um anúncio deve ter gerado surpresa e desconfiança para muitos que conheciam o som do trio suíço de rock industrial The Young Gods: eles lançariam um disco acústico! Mais: eles trariam este show para o Brasil! Como se sabe, existe fã radical para qualquer estilo musical, e no universo do som industrial/EBM não seria diferente. Lembro-me bem de ler na época dos shows no Brasil (abril de 2008) uns comentários pela internet de uns caras desses aí detonando a banda, dizendo que eles “se venderam” ou que “o show acústico não teria a menor graça”. Bando de cabeças de bagre! Para começar, a música do Young Gods vai muito além do rótulo de “rock industrial”. Sim, eles foram um dos primeiros a levar o noise movido a guitarras para a música eletrônica/industrial, se tornando referência nesta fusão, além de utilizarem o sampler de forma nunca antes vista, isso lá por 1985. Correto, mas eles não se restringiam a isso! Mesmo em seus dois primeiros discos, ambos cantados em francês e tidos pelos radicais como os melhores, havia ecos de música folclórica européia, eletro-acústica e erudita (já gravaram um álbum inteiro com composições de Kurt Weil). Quando começaram a cantar em inglês, ganharam o mundo e novas influências também, inclusive com canções acústicas, que vinham sendo testadas ao vivo em doses homeopáticas desde meados dos anos 90.

 

YoungGods acoustic2

The Young Gods live acoustic 05/03/2009

Knock on Wood”, lançado ano passado, mostra o The Young Gods elevando suas composições a um novo patamar, revelando aos ouvidos mais desatentos arranjos e melodias que antes talvez estivessem escondidos sob toneladas de ruídos e guitarras digitalmente saturadas. Da pancadaria de “Longue Route” ao blues industrial de “Gasoline Man” (que ganhou harmônica e guitarra slide), o repertório do disco encanta os ouvidos também oferecendo paisagens sonoras que flutuam de um canal pra outro no fone, sugerindo que o conceito de “acústico” tivesse sido desvirtuado, pois os mesmos sons parecem ter sido gerados via sampler ou coisa do tipo. Em parte sim, mas o mistério – e o grande atrativo desde disco – seria desvendado ao colocar o DVD de bônus para rodar. É neste momento que a inquietude musical desta banda aflora de uma forma impressionante. E também me serviu de consolo por ter perdido seus shows por aqui ano passado…

“Live At ‘Moods’”, o equivalente em vídeo de “Knock on Wood” (que foi concebido em estúdio), é uma viagem neo psicodélica imperdível. Vendo os caras tocando ao vivo que você percebe o quanto eles são geniais. Eu já havia tido uma noção do que pudesse ser esta apresentação num show que assisti deles em 2004, quando morava em São Paulo. Mas com a banda completa no palco, realmente é algo novo para mim. O vocalista (e multiinstrumentista) Franz Treichler utiliza de vários efeitos em sua voz e também no seu violão, além de manejar com mãos e pés chocalhos e demais instrumentos de percussão inusitados (até uma guitarra de brinquedo ele usa), todos eles plugados a um terceiro microfone também lotado de efeitos. O percussionista/baterista Bernard Trotin comanda o ritmo também de forma muito criativa, com alguns tambores plugados a módulos de efeitos, além de utilizar sem cerimônia de pads eletrônicos. Al Comet (que toca um surpreendente violão de apenas três cordas que às vezes faz o contra-baixo) e Vincent Hänni (músico convidado) simulam a muralha de guitarras com os violões, mudando a perspectiva de várias músicas ora para um folk raivoso, hora para uma espécie de heavy metal desplugado.

 YoungGods acoustic3
The Young Gods live acoustic 05/03/2009

Todas aquelas ambiências sonoras ouvidas em faixas como “She Rains”, ou mesmo no disco “Only Heaven” inteiro, o grupo as executa de forma original e inovadora ao vivo. Entre vários momentos de contemplação deste vídeo, eu destaco o ápice com os quase 20 minutos de viagem lisérgica de “Gardez Les Spirits/Ghost rider”, com Treichler alternando distorções em sua voz e no seu violão, Trotin manipulando efeitos percussivos variados utilizando até mesmo a ponta de um cabo desplugado (que confere uma sonoridade de sintetizador ao estilo electro), e a dupla Comet e Hänni segurando o ritmo hipnótico com seus violões e literalmente batendo na madeira (knock on wood) de seus instrumentos. Outros destaques são faixas que não constam no disco de estúdio, como as versões de “Everything in its Right Place” (Radiohead) e a magistral “If Six Was Nine” (Jimi Hendrix), que aqui se transformou numa espécie de folk/trip-hop denso e sombrio, com a vocalista de jazz convidada Erika Stucky dando todo um clima à parte com sua interpretação vocal. Nesta hora, sua mente já visitou diversas dimensões e o vídeo acaba sem você saber se será possível retornar de forma segura ao conforto do sofá de sua sala de estar…

Veja:

The Young Gods: “Live At ‘Moods’” (vídeo – via torrent)

 Ouça:

Knock On Wood

 Site oficial

Cinco novos nomes da música eletrônica que merecem atenção

•11/08/2009 • 2 Comentários

Por enquanto, não há nenhum hype excessivo em cima deles – ou, pelo menos, até onde eu sei… Portanto, seguem meus breves comentários:

Waxdolls

Duo belga que pratica um electro maximal pesadão, com pegada roqueira e ótimos timbres. Algo como se o Prodigy resolvesse gravar um disco em sincronia total com os tempos atuais, ao invés da onda retrô auto-referente de “Invaders Must Die“. Fodaço, bom inclusive pra bater cabeça na marcação da batida e dos synths… ou para fazer o que rola no videoclipe abaixo:

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DilemN

Electro e breakbeat com timbres fantásticos e samples espertos de disco music e seriados dos anos 70.  Ou um electro pesado com um molho nu disco. Depois do Yuksek, minha aposta como novo hype da música eletrônica vinda da França.

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CFCF

Electro retrô que remete ao fim dos anos 70/início dos 80’s, recheado de synths analógicos e muito bom gosto no instrumental. O passado que se transforma em moderno. O video abaixo pegou cenas de uma obscura série de TV francesa de 1974 – tudo a ver com o clima da música.

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80Kidz

New rave com força! Ou o Mickey Gang  na terra do Jaspion! Se ainda não são hype, clamam por ele já a partir do nome. Seguem à risca a fórmula já um tanto desgastada da new rave: anos 80, barulho, energia adolescente, roupas de cores berrantes, anos 80, synths rasgados, anos 80, all stars fluorescentes… e são japoneses! Normalmente as bandas indie/electro/new rave sempre colocam um japinha dentro, mas o 80Kidz é todo formado por japinhas. Também sou hype? Certamente. Mas o som também é bom e divertido pra caramba! 

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Freeland

Certamente você já ouviu falar de Adam Freeland, cultuado produtor e DJ de breakbeat/electro. Mas eu confesso que engoli mosca quanto à banda Freeland, da qual ele faz parte e que produz um som que remete ao melhor da rocktronica dos anos 90, que era aquele big beat com baixos sujos e guitarras ecoando de um canal do fone para outro. Pois é, o disco “Cope”, recém lançado, nos faz lembrar dos bons momentos vividos ao som de Chemical Brothers, Crystal Method, Apolo 440 e congêneres.

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Obs: este blog não tem a finalidade de competir com ninguém sobre quem posta primeiro tal lançamento mais recente. São apenas minhas opiniões, onde procuro passar um filtro em meio a tanta novidade postada por aí. Tanto é que as fontes de minha pesquisa encontram-se devidamente linkadas à direita. Ali há discos que nem os próprios artistas sabem que já foram lançados!

Santa internet!

•11/08/2009 • Deixe um comentário

Veja isso:

Daí que você fica pensando: se existe um registro de qualidade e bem editado de um troço clássico como esse, por que cargas d’água os caras não lançam isso em DVD? Pois é, esta pergunta deveria ser feita à bruaca da Sharon Osbourne, pois parece que ela tem uma mágoa guardada desde que o seu (atualmente) leso marido comedor de morcegos  foi limado da banda no fim dos anos 70 e por isso trata com um certo pouco caso tudo o que envolva Black Sabbath e Ozzy Osbourne.

Pois nossa Santa Internet nos acode mais uma vez e disponibiliza este vídeo mega clássico para quem tiver torrent instalado no seu computador. Enquanto Osbournes e Sabbath eternamente se desentendem, nós vamos buscando vias alternativas para saciarmos nossos desejos.

Agradecimentos especiais ao colega hermano Marcelo DRGZ , que nos mostrou este belo caminho para apreciarmos a banda que talhou a ferro e fogo o caminho do que mais pesado poderia ser o rock and roll dali para a frente.